Nós brasileiros não gostamos de política. Não fazemos a menor idéia de como as coisas funcionam nos bastidores do poder, e estamos satisfeitos com isso. Os nossos colegas americanos também. Por isso uma série mostrando o dia-a-dia da Casa Branca tinha tudo para não dar certo. Que graça teria ver as negociações por trás da aprovação de uma lei? O que tem de divertido nos conflitos entre Índia e Paquistão? Acompanhar o discurso do presidente é entretenimento? É sim, e dos bons, se tem uma mente brilhante como a de Aaron Sorkin por trás.
The West Wing estreou em 1999 e foi uma das mais bem sucedidas séries da história: em sete temporadas arrecadou nada menos que 2 Globos de Ouro, 25 Emmys (sendo quatro de Melhor Série Dramática) e 54 outros prêmios. Atualmente é exibida na Warner e no SBT. Nem imagino o horário e nem as temporadas que estão no ar (o site de ambas as emissoras não têm essa informação).
Confesso que achava a série chata. Via um ou outro episódio perdido e não entendia nada. Mas depois de ouvir muitos elogios, resolvi comprar o DVD da primeira temporada. Depois de assistir aos sete discos em questão de dias, mudei completamente de idéia. Cada cena é orquestrada com perfeição por Sorkin, a mente por trás da recente Studio 60 on the Sunset Strip. O estilo que nos conquistou na história dos bastidores do programa está lá: a câmera seguindo os personagens em planos-sequência através dos corredores, os diálogos rápidos e inteligentes, a iluminação meio escura para mostrar o que não está sob os holofotes.
Os personagens são cativantes. Não tem como não amar o presidente Jed Bartlet, mesmo que dê raiva perceber que o presidente dos Estados Unidos é realmente o comandante do mundo. Não tem como não querer fazer parte de uma equipe como aquela. Mesmo eu, que já trabalhei no gabinete de um vereador e não tenho boas lembranças, me encantei com a paixão com que as coisas funcionam por lá. Não tem como não parar uns minutos depois de cada episódio e refletir sobre os temas discutidos por lá. Racismo, armas, aborto, educação, imigrantes, saúde. O papo de The West Wing é sério sim, mas nunca pesado.
Além disso, na primeira temporada, temos a participação da Lisa Edelstein (Dra. Cuddy de House) e de Jorja Fox (Sara, de CSI) como uma prostituta e como uma agente da CIA, respectivamente. Rob Lowe, que hoje vive um senador republicano em Brothers and Sisters, curiosamente era um assessor democrata na série. Bradley Witfhford, que já estava encantador em Studio 60, tem um personagem simplesmente adorável em The West Wing. Eu não ia falar que estou apaixonada por ele, mas o fato é que estou. Agora estou aqui, desesperada para que os boxes da segunda e da terceira temporadas cheguem logo. Já ouvi de fontes confiáveis que o season finale da segunda temporada é o episódio mais perfeito já produzido na televisão, e não duvido nem um pouco disso.
Então, fica a dica. Já que a maioria das séries não terão episódios inéditos por um bom tempo, que tal conhecer um clássico da TV? Garanto que vale a pena!
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