Gisele Ramos
24 Horas estreou e revolucionou o mundo dos seriados. Esse produto televisivo, que andava meio esquecido desde o fenômeno Arquivo X, voltou a dominar as conversas e as páginas dos jornais. O formato em tempo real do programa da Fox foi considerado inovador, e até as janelas com acontecimentos paralelos - tão criticadas no cinema - fizeram sucesso. Desde lá, tivemos cinco temporadas impecáveis. Ação, intrigas políticas, reviravoltas e tensão a cada minuto. Mas 24 é produzida por humanos, que acertam muito, mas também erram. E o sexto dia de Jack Bauer não poderia ter sido mais equivocado.
A temporada começou bem. Os quatro episódios que vazaram antes da estréia nos EUA
trouxeram uma ameaça muito maior do que as vistas nas temporadas anteriores. Jack Bauer voltou de dois anos de torturas na China e encontrou quatro bombas nucleares em solo americano, os muçulmanos eram perseguidos e Wayne Palmer eleito como presidente, cercado por uma equipe duvidosa. Os elementos para o sucesso estavam lá, mas parece que a equipe criadora de 24 Horas não soube trabalhá-los bem. Os episódios se tornaram repetitivos. Não havia tensão.
O último episódio desta sexta temporada trouxe um pouco do velho Jack. A corrida contra o tempo que devia guiar todos os episódios finalmente apareceu. A missão era recuperar um componente que evitaria uma guerra contra a Rússia e salvar o sobrinho de Bauer. Aliás, por que diabos Philip Bauer fazia tanta questão de ter a companhia do netinho no exílio? De todos os absurdos que eu já vi em 24 Horas, este é um dos poucos que não consegui engolir. Simplesmente ridículo. Assim como foi ridículo termos tantos triângulos amorosos na CTU em plena iminência de um ataque nuclear. O núcleo da Casa Branca esteve bem nessa reta final, com Tom Lennox e o vice-presidente Daniels provando que tudo o que fizeram foi pelo bem do país. A dubiedade destes personagens foi um dos poucos pontos fortes desta temporada.
Recentemente foi divulgado que, no próximo dia, a estrutura da série sofrerá mudanças. Jack estará em um novo emprego e em uma nova cidade, possivelmente Nova York. Essas mudanças são necessárias para recuperar o fôlego da série, cuja fórmula está absolutamente esgotada. Confesso que não estou muito empolgada para assistir.
ameaças possíveis e imagináveis. Já morreu umas três vezes, para voltar mais durão do que nunca. Já foi torturado por dois anos seguintes, e algumas horas depois já agia como se nada tivesse acontecido. Ele não come, não vai no banheiro, namora todas as mulheres bonitas e ainda dizem que ele é humano. Sei não, pra mim ele é resultado de um cruzamento entre o Chuck Norris com a Mulher Maravilha, geneticamente modificado para não falhar jamais.
De outro lado, temos Jack Shepard. Sensível e responsável ao mesmo tempo, o médico é um líder nato. Os sobreviventes do acidente de Lost perceberam a essência de Jack e confiaram nele cegamente, mesmo depois dos indícios de traição apresentados nesta terceira temporada. Sempre pensa no melhor para os outros e tenta sempre agir da maneira correta, o que lhe trouxe muitas vezes a fama de chato entre os fãs da série. Seria um príncipe encantado, se não trabalhasse demais. Foi assim que perdeu sua esposa. E por ser caxias em demasia, acabou com a carreira profissional de seu pai e, consequentemente, vive atormentado pelo peso de sua escolha.
Mulheres, de tão clichê. Jack Slattery, de Men in Trees, é o típico homem do campo: veterinário, vive cortando lenha. É um cara de poucas palavras, mas não perdeu tempo e deu uns pegas na protagonista. Não hesita em correr para socorrê-la quando um animal invade o seu quarto ou quando ela tem que mudar um móvel de lugar, mas não é um primor de delicadeza no trato com a cosmopolita Marin. Enfim, o bruto que muitas mulheres sonham em chamar de seu.
E eu não poderia esquecer do meu Jack favorito. Divertido, espirituoso e companheiro, Jack McFarland não está mais no ar, mas tem um cantinho reservado no coração dos fãs da excelente Will & Grace. Sempre metido em mil confusões, o aspirante a ator não hesitava em envolver seus amigos no rolo, o que gerou muitas cenas impagáveis do saudoso seriado. Em determinado momento, revelou que tinha um filho adolescente e - quem diria - se mostrou um pai amoroso. Era companheiro inseparável de Karen Walker, minha diva-mor do mundo dos seriados e, foi parte importante no sucesso estrondoso de uma série com temática gay em plena tv aberta americana. Viva Jack!




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