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Era uma vez um país que parava nas noites de quinta-feira para assistir ao “Plantão Médico”. Vários destes espectadores já haviam sido adolescentes que se reuniam no colégio para comentar as aventuras de Brandon e Brenda no último capítulo de “Barrados no Baile”. Muitos cresceram assistindo “Alf, o ETeimoso” e não entendiam por que seus pais gostavam tanto de “A Gata e o Rato”, “Miami Vice” ou “Magnum”. Mas, no país das novelas, quase ninguém sabia que esses programas americanos tinham seus episódios divididos em temporadas. Ninguém acompanhava com angústia o risco de cancelamento da sua série favorita. E só ficamos sabendo que Shannen Doherty saiu de “Barrados” devido ao seu temperamento muito tempo depois, através das revistas de celebridades.

Hoje em dia, neste mesmo país, assistimos os episódios de Lost ao vivo através de streaming. Notícias do mundo dos seriados são publicadas por aqui em sites e blogs quase simultaneamente às suas divulgações na terra do Tio Sam. Legendas são produzidas por internautas em tempo recorde. Pessoas de diferentes idades e classes sociais assistem e comentam séries produzidas para um público que vive uma realidade muito distante da nossa. O lançamento da tv a cabo em 1991 foi responsável por parte do sucesso destes shows, mas a grande revolução veio mesmo com a popularização da banda larga nos últimos anos. A jornalista Fernanda Furquim, que lançou um livro sobre sitcoms e atualmente ministra cursos sobre a história das séries, nos anos 90 publicou a revista TV Séries e acompanhou com especial interesse a mudança no perfil dos fãs dos seriados americanos. “A evolução tecnológica estimulou muita gente a gostar de séries de TV, que antes dependiam unicamente do roteiro e do bom desenvolvimento de situações e personagens”, conta. Fernanda afirma não ter se surpreendido com o sucesso do gênero. “Sempre soube que as séries se tornariam mania algum dia. Só não sabia quando ou como. A publicação da TV Séries surgiu com base nessa crença de que nós existíamos. Eu só não sabia como poderíamos agregar as pessoas para um movimento neste sentido. Estava faltando a internet e estava faltando a qualidade técnica do produto para gerar um movimento”. (more…)

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