Por Vinícius Silva (publicado originalmente no Sob a minha lente)
A Psicologia é algo muito comum no universo cinematográfico e também nos seriados. Sempre citamos o tratamento psicológico dos personagens em determinadas séries, filmes que tentam se incluir mais nessa pesquisa investigativa da mente humana para entender qualquer ação que se faça. No filme, por exemplo, Além da Linha Vermelha, o diretor Terrence Mallick se utiliza da batalha de Guadalcanal, realizada numa Ilha do Pacífico durante a II Guerra Mundial, para mostrar como os soldados reagiam diante do conflito. Ele praticamente se esquece do que foi realmente o conflito e concentra a sua narrativa nos soldados que ali estavam.
Não só neste filme de Terrence Mallick, que recebeu, na ocasião, sete indicações ao Oscar, mas ultimamente, devido aos conflitos no Iraque e no Afeganistão, as produções têm procurado entender mais o instinto humano quando os soldados retornam para casa, do que em relatar a própria guerra. Isso pode ser visto em dois filmes recentes: o primeiro, A Volta dos Bravos e, o segundo, O Reino. Ambos tratam dessa luta em dois fronts por parte dos americanoos. Brian de Palma também fez uma obra documental e ficcional sobre a mesma temática, no seu longa Redacted, em que ele também se aprofunda no estudo psicológico dos seus personagens para compreender o pensamento de cada um sobre a guerra ou o porquê de se estar ali.
Existem, obviamente, outros filmes que tem a Psicologia como pano-de-fundo como, por exemplo, Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, Gênio Indomável, Bicho de Sete Cabeças, Abril Despedaçado e tantos outros que, se eu me esforçasse um pouco mais, poderia listar aqui. Todos estes tratam muito bem do lado psicológico dos seus personagens, talvez não de maneira direta, mas de uma forma que dá a entender a verdadeira mensagem que os seus diretores estejam querendo passar: compreender a mente humana.
No entanto, uma nova série da HBO, chamada In Treatment, aprofunda na Psicologia pura, como ela realmente é, algo que nunca foi feito no cinema, pelo menos não que eu me lembre. Todos os pontos necessários para se compreender o que se passa na mente de cada ser humano está ali, com diversos casos e problemas, de pessoas com personalidades diferentes, que procuram um terapeuta para ajudá-lo a entender tudo o que está se passando na sua vida. O trabalho do terapeuta: ajudar essa pessoa a achar o seu caminho.
Gabriel Bryrne encarna Paul, o dono do consultório. Na segunda-feira, ele atende Laura, uma médica que está apaixonada pelo próprio Paul. Terça-feira é a vez de Alex, um piloto de guerra traumatizado por ter matado inocentes há anos atrás. No dia seguinte, Paul atende Sophie, uma menina ginasta que tentou suícidio. Quinta-feira chega a vez de Jake e Amy para uma terapia de casal. E, finalmente, na sexta-feira, o próprio Paul se consulta com sua amiga e mentora, Gina.
Assim sendo, a cada semana essas pessoas voltam ao consultório de Paul com uma nova história para ser contada, novos problemas e novas situações. O trabalho do teraupeta: ouvir. E isso é algo que a série deixa muito claro durante os vinte minutos de exibição dos episódios. A única coisa que Paul faz é ficar sentado e ouvindo o que o seu paciente tem a dizer. O texto altamente bem feito, ajuda a dar sustento às histórias, juntamente com as ótimas interpretações dos seus atores.
In Treatment pode causar até um certo sono durante alguns momentos, porque ela se passa em um único cenário (o consultório de Paul) e, durante todo o tempo, ela é construída a partir de diálogos fortes, com a câmera girando em torno do terapeuta e do paciente, além de se utilizar de planos fechados para causar ainda mais impacto para quem está assistindo. Uma espécie de trazer emoção e comoção pela história que está sendo contada. Obviamente que isso ajuda a dar mais realidade, mas principalmente, ajuda a entender o sentimento de cada um quando se senta ali no divã, coisa que não é fácil para ninguém, nem para um adulto quanto menos para uma garotinha.
Além disso, um outro fator interessante da série é a humanização do seu terapeuta, Paul. Durante a semana ele atende todas essas pessoas, mas na sexta-feita ele próprio vai para o divã. É interessante notar porque se pensa que os terapeutas têm respostas para todas as coisas. Mas não é bem essa a verdade. Eles também têm problemas e o que Paul faz em se consultar com uma outra pessoa, o que desmetifica o que normalmente se pensa em relação a estas pessoas. Afinal de contas, são tantos problemas que Paul ouve que ele se vê na necessidade de, não exatamente compartilhar, mas de tentar descarregar um peso que ele tem para si com uma outra pessoa, a amiga e mentora, Gina.
É possível se identificar em muitos aspectos com os problemas contados pelos pacientes. Todos eles procuram achar um significado para as coisas que acontecem ou, simplesmente, procuram se entender. A série não perde o ritmo em momento algum, sendo brilhantemente escrita e melhor ainda interpretada. Recomendável a todos aqueles que gostam de diálogos inteligentes, impactantes, mas também, de uma pequena dose de emoção.
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Posts (RSS)
24 de Março de 2008 às 7:18 pm
FINALMENTE! Será que só eu assito In Treatment? Não pode ser! É uma das coisas mais inovadoras da tv no momento.
Impossível não se emocionar com o brilho nos olhos de Gabriel Byrne e seu Paul amargurado com a vida,com a naturalidade de Sophie ou com o jogo de sedução de Laura. Impossível não se ver naqueles joguinhos que as nossas mentes nos pregam. Além da análise, In Treatment é uma lição de vida.
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24 de Março de 2008 às 7:32 pm
Só vi o pilto, mas tô louca pra ver o resto… 45 episódios, lá vou eu!
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25 de Março de 2008 às 12:01 am
Eu já vi os 15 primeiros episódios da série e estou achando realmente muito bom! É simplesmente imprevisível! Não tem nem como especular o que o paciente ou o Paul irão fazer! muito bom!
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25 de Março de 2008 às 5:47 pm
Nossa, a Silvia soube definir exatamente o que eu penso da série.
É maravilhosa. Eu já vi até o epi 17, mas pretendo revê-los porque ainda não tinham legenda e confesso que fiquei sem entender muitas coisas, os diálogos são precisos demais e eu não consigo processar tudo.
Muito boa a série, pra mim, já é a melhor dessa ano, pelo caráter inovado r e real que ela tem…
Valeu Gi, por ter colocado o texto aqui.
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27 de Março de 2008 às 2:41 pm
[...] Link: blognatv.com [...]
27 de Maio de 2008 às 9:22 pm
Gostaria de saber se podemos comprar as series pois não são todos os dias que consigo assistir, sou Psicóloga e estou gostando muito da série
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27 de Maio de 2008 às 10:05 pm
Marcia, como a série ainda está sendo exibida pela HBO, acho que ainda demora um pouquinho para sair em DVD. Mas sai.
Abraço!
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29 de Maio de 2008 às 4:23 pm
Uma dúvida: pelo que li sobre a série o protagonista é PSICANALISTA e não PSICÓLOGO, como sugerido no texto.
Há diferenças grandes entre a Psicologia e a Psicanálise.
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Jane respondido em Junho 22nd, 2008 3:00 am:
Vanessa:
Para ser Psicanalista é NECESSÁRIO ser psicólogo.
Depois de se formar Psicólogo, cada um escolhe a bordagem terapêutica que mais lhe diz de perto: Psicanálise, Terapia Reichiana, Gestalt Terapia e etc…
Respondi?
Um abraço
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Ivan Pereira respondido em Junho 27th, 2008 1:41 pm:
Só pra complementar, não é necessário ser psicólogo para ser Psicanalista, nem mesmo ser da área de saúde. O ideal é que venham dessas áreas mas a formação de no mínimo 5 anos em Psicanálise (clássica, ortodoxa) ainda pode ser feita e regulamentada por outras áreas profissionais.
Abraços.
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12 de Junho de 2008 às 6:39 pm
Na verdade, o protagonista não é um psiquiatra (psychiatrist), ele é um psicoterapeuta (psychoalalyst, do site da HBO), ou psicólogo. Os psiquiatras se sentam em uma cadeira que é colocada atrás dos seus pacientes, que se deitam em um divã. E, que eu saiba, eles praticamente não falam com o paciente durante a sessão.
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16 de Junho de 2008 às 7:20 pm
Boa noite, eu gostaria de saber se ainda não saiu em DVD para ser comprado esse seriado?
Agradeço
Angela
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3 de Julho de 2008 às 10:26 am
Interessante é lembrar que todo terapeuta DEVE fazer terapia. Dessa forma, não é apenas uma visão humanizada do Paul ou necessidade de compartilhar o peso das sessões, mas algo que está no código de conduta dos psicólogos ou psicanalistas. Ah, e são os psicanalistas que trabalham com Divã, eles sentam-se atrás do paciente para que este não seja influenciado pelas expressões do próprio terapeuta. Já quanto aos psicólogos, dependendo da abordagem, trabalham de forma bem diferente.
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